MULHER NEGRA NA SOCIEDADE


"Sim, mulheres, continuem na luta!"

 "Uma andorinha só não faz verão, mas não podemos baixar a guarda. Vamos atrás dos nossos direitos, para que mais pessoas também os conquistem!"

"Eu entrei para militância com o objetivo de ser uma representatividade negra, para que crianças olhem a TV e vejam que ali tem espaço para uma pessoa parecida com elas, para que adolescentes não cresçam querendo entrar no padrão eurocêntrico que nos é imposto diariamente. Eu sou do ano de 1996 e não tive isso! Da mesma forma, quero que adultos enxerguem que podemos ser melhor representados em cargos de destaque e não só como empregados domésticos ou coadjuvantes na novela das 21h.

Hoje, ser mulher negra no Brasil é sinônimo de luta. Começa pelas questões de desigualdade e gênero e, quando junta com questões raciais, somos postas a mercê de uma sociedade patriarcal e racista. Somos vistas como objeto sexual e preteridas, fadadas aos subempregos. Passaram-se anos desde a abolição da escravatura e nós ainda não conquistamos metade do que temos direito. A luta continua!

Eu ainda acredito que a mudança está em cada um de nós, a partir do momento em que as pessoas passarem a olhar para dentro de si e reconhecerem suas falhas e pré-conceitos. Não é porque eu sou negra que eu não tenho defeitos! Um exemplo que gosto de espalhar por aí é o do cozimento de um alimento no microondas, pois é realizado de dentro para fora, assim tem que ser a nossa vida em sociedade. Para estarmos realmente prontos para mudar o cenário atual temos que amadurecer interiormente". - Rafaela André, acadêmica de jornalismo e militante negra.


"Nós vivemos em uma sociedade preconceituosa. A maioria das pessoas diz que não carrega preconceito dentro de si, quer sempre apontar no outro, mas todos carregamos pré-conceitos. A mulher por si só já é descriminada, mesmo depois de adquirir muitos direitos. Quando se trata da mulher negra, o preconceito é ainda maior. Por exemplo, dentro de uma empresa ela ganha menor salário, mesmo que seja a mais estudada de todos.

No mercado de trabalho, o lugar da mulher é limitado a alguns setores e funções. O lugar da mulher negra é ainda mais limitado. A inserção das mulheres negras é nitidamente desvantajosa, ainda que a sua participação na força de trabalho seja mais intensa que a de mulheres não-negras.

O passado escravocrata ainda permeia em nosso presente: as mulheres negras podem até ser consideradas bonitas, mas são vistas como escravas, cozinheiras, como se sempre estivessem abaixo do nível de outras pessoas. E isso se dá porque a mulher bonita é a branca de olhos claros. A negra, na maioria das situações, é tratada como objeto sexual. 

A visão do patriarcado constituído socialmente vem de muito tempo atrás e estabelece uma hierarquia entre homens e mulheres, priorizando os homens. A mulher negra, então, é duplamente descriminada, tanto pela cor quanto pelo gênero.  

A união das mulheres é de grande ajuda para transformar esse cenário, para reivindicarem os seus direitos. Tem que ser colocado em prática todos os direitos que já foram adquiridos. Há também uma necessidade de políticas públicas para tratar de assuntos como esse. As leis precisam ser cumpridas. Racismo é crime. As mulheres negras tem que arregaçar as mangas e continuar correndo atrás de colocar em prática os seus direitos". - Valdenice Silva, socióloga especializada em psicossociologia das relações afro-brasileiras. 

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