VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

RELACIONAMENTOS ABUSIVOS NÃO ESTÃO CONDICIONADOS A AGRESSÃO FÍSICA

“No começo, eu me sentia conquistada. Tinha encontrado a pessoa que me amava de verdade e não iria me maltratar. Mas eu estava enganada! Ele começou a dizer que eu não podia ter amigos, só ele bastava pra mim”.

Ele fazia eu me sentir culpada e eu não conseguia ver que o erro estava nele.

Em pleno século 21, mulheres ainda vivem coagidas dentro de seus relacionamentos. E é preciso debater sobre a violência praticada dentro e fora de casa para desarraigar da nossa sociedade a ideia de que o homem deve controlar tudo, inclusive a vida de sua parceira. Em uma pesquisa realizada pelo Datafolha no último ano, por exemplo, o percentual de mulheres que afirmam terem sofrido algum tipo de violência física ou verbal é de 29%, equivalente a 16 milhões de brasileiras.


Em grande parte dos casos, a vítima não se dá conta de que está dentro de um relacionamento abusivo por pensar que atitudes agressivas e controladoras são uma forma de demonstrar interesse por ela. “Isso faz com que ela fique presa dentro desse ciclo de violência. Ele a maltrata, pede perdão e inicia tudo de novo”, explica Suzana França, assistente social do CHAME (Centro Humanitário de Apoio à Mulher).


Somente em 2017, foram 236.41 medidas protetivas concedidas contra 194 mil de 2016. De acordo com o estudo estatístico O Poder Judiciário na Aplicação da Lei Maria da Penha 2018, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), este ano aumentou em 21% a quantidade de medidas concedidas pela Justiça para prevenir agressões a mulheres.

O relacionamento abusivo é uma luta diária de muitas e é comum as pessoas pensarem que precisa ser físico para ser abusivo ou mesmo para ser considerado violência. No entanto, esta mulher que prefere não se identificar viveu na pele agressões que não deixaram marcas.

“As pessoas ainda associam o relacionamento abusivo a agressão, mas no meu caso foi totalmente psicológico. A agressão física está ali, some, mas a psicológica fica pra sempre”, relata a vítima.

Ainda conforme o Datafolha, apenas 11% das mulheres procuram ajuda. Fatores como dependência emocional e financeira de seus parceiros impedem que as mulheres denunciem.

“Perceba enquanto há tempo. Não tenham medo, é preciso entender que, apesar de você amar essa pessoa, isso não é bom pra você. Denunciem. Peçam ajuda!” alerta outra vítima, que também não quis ser identificada.

*O primeiro passo para se libertar é denunciar. Ligue para o disk denúncia 180 ou entre em contato pelo ZapChame: 98405 0502.

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